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A evolução clínica pode ser dividida em 3 fases. Porém, devido à variabilidade dos sinais e à duração irregular dos estágios, nem todos os animais passam por todos:
Prodromal: dura de 1 a 3 dias, com os animais apresentando apenas sintomas vagos no SNC, que geralmente se intensificam com rapidez. A doença avança rapidamente depois do aparecimento da paralisia, sendo que a morte pode sobrevir a qualquer momento. Alguns animais morrem logo, sem apresentar sinais clínicos evidentes.
Excitativa: também chamada de "raiva furiosa" ou "síndrome do cachorro louco". Embora possa ser observada em todas as espécies, refere-se a animais em que a agressão é acentuada. Raramente ocorre paralisia nesse estágio. O animal torna-se irritável e com a mais leve provocação pode agredir com seus dentes e garras. Eles assumem postura de alerta e ansiedade, com pupilas dilatadas. Tais animais perdem toda cautela e medo de seus inimigos naturais. Em geral, os carnívoros com essa forma de raiva andam grandes distâncias, atacando outros animais, inclusive o homem, e qualquer objeto que se mova.
Cães filhotes nessa fase aparentemente procuram companhia humana e ficam muito brincalhões, mas mordem mesmo quando acariciados.
Paralítica: o estágio final de "raiva paralítica ou silenciosa" refere-se a animais em que são mínimas as alterações no comportamento, sendo que a doença se caracteriza principalmente por paralisia. A queda de mandíbula é comum nesses animais. Diante dessa situação, o proprietário na maioria das vezes examina a boca dos cães à procura de algum objeto ou administra medicação com as mãos, sem proteção, expondo-se assim à doença.
Fases da raiva em cães e gatos
Quando o vírus da raiva acomete carnívoros (cães e gatos), a doença se apresenta mais na forma agressiva ou furiosa e os sinais clínicos observados são:
- Mudança de hábitos (animal busca esconder-se em lugares escuros);
- Alterações bruscas de comportamento (agitação ou agressividade mais intensa ou ao contrário, fica isolado e quieto);
- Mudança de hábitos alimentares (se adulto, volta a roer objetos, ingere materiais diversos ou estranhos);
- Dificuldade para engolir água e alimento devido à paralisia da musculatura da laringe/faringe;
- Salivação abundante, pois não consegue deglutir a saliva;
- No início incoordenação motora, evoluindo para paralisia das patas traseiras;
- Nos cães, o latido torna-se diferente, parecendo um "uivo rouco", devido à paralisia das cordas vocais, sintoma importante da raiva canina.

Atualmente, no estado de São Paulo, a variante do vírus rábico encontrado em cães e gatos é a do morcego hematófago. Esse fato levou a uma amenização dos sinais da raiva. Como a raiva paralítica apresenta maior incidência, os veterinários devem ficar atentos a esse sintoma.
Atenção deve receber os cães e, em especial, os gatos, por serem mais predadores que os primeiros, e têm o hábito de caçar morcego. Eles podem desenvolver a doença e reintroduzir o vírus rábico nessas espécies colocando em risco os seres humanos.
A literatura científica já menciona casos humanos associados a cães e gatos que entraram em contato com morcegos contaminados.
A raiva deve sempre ser considerada no diagnóstico de qualquer doença neurológica de curta duração, inclusive paresias de origem indeterminada.
Antes de o diagnóstico de raiva ser descartado ou confirmado, devem ser tomadas certas precauções a fim de diminuir os riscos de infecção nos seres humanos. Os casos suspeitos devem ser notificados às autoridades sanitárias competentes.
As medidas a serem tomadas são:
- Isole o animal suspeito de ter a doença.
- Os animais mordidos por outros animais não devem receber nenhum tipo de tratamento.
- Se o animal exposto tiver proprietário e for vacinado, recomenda-se seu isolamento para observação clínica por 10 dias e revacinação após esse período.
- Em caso de mordida ou contato com animal suspeito, o ferimento deve ser lavado com água e sabão, e a pessoa encaminhada ao serviço médico para as devidas providências de acordo com a lesão.
- Se o animal exposto à raiva for errante, não vacinado e apresentar sinais sugestivos da doença, ele pode, a critério da autoridade sanitária, ser sacrificado para coleta de material para diagnóstico laboratorial.
- O proprietário ou o veterinário responsável deve entrar em contato com o Centro de Zoonoses de sua cidade para que se providencie a coleta de amostras de tecido do animal suspeito (morto) que devem ser enviadas a laboratórios governamentais para diagnóstico.
- O material coletado deve ser a cabeça inteira ou o cérebro, que devem ser acondicionados num isopor com gelo e enviados o mais rápido possível a um centro de diagnóstico de raiva.
- O resultado do diagnóstico laboratorial deve ser fornecido, no máximo, em 48 horas após o recebimento do material, exceto quando a amostra for conservada em glicerina.