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Ivanete Kotait
Instituto Pasteur
Estima-se que, anualmente, o Governo do Brasil gaste US$ 28 milhões na profilaxia e controle da raiva, apenas com vacinas de uso humano e para cães, imunoglobulinas, diagnóstico laboratorial, treinamento de recursos humanos e campanhas de vacinação de cães. Não estão incluídas nesse valor as despesas relacionadas à prevenção da raiva transmitida pelos morcegos hematófagos (
Desmodus rotundus) a humanos e herbívoros, nem mesmo de tratamentos humanos ou, ainda, gastos indiretos. No contexto mundial, no entanto, a raiva é considerada uma doença negligenciada.
A raiva é uma encefalite aguda, 100% letal, que é considerada das mais importantes problemas em saúde pública, seja pela sua alta letalidade, como pelos prejuízos econômicos que causa à agricultura.
É causada por um vírus da família
Rhabdoviridae, gênero
Lyssavirus, que tem como principais reservatórios os animais das Ordens
Carnivora e
Chiroptera.
Cerca de 55.000 pessoas morrem, anualmente, pela infecção com o vírus da raiva, no mundo, principalmente nos continentes Asiático (56%) e Africano (44%). A cada 15 minutos morre uma pessoa e mais 300 são expostas ao risco da infecção, principalmente crianças com idade inferior a 15 anos (40%).
No Brasil, com o estabelecimento do Programa Nacional de Controle da Raiva, coordenado pelo Ministério da Saúde, em 1973, e ações sistemáticas de controle da raiva canina, o perfil epidemiológico da raiva no país passou por uma sensível alteração e hoje são identificados distintos ciclos que podem ser resumidos na figura abaixo (Figura 1).
Somente com a finalidade didática, vou abordar em tópicos os ciclos, deixando claro, porém, que estes ciclos não são independentes.