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    O vírus da raiva pertence à família Rhabdoviridae, gênero Lyssavirus e tem a forma de uma bala de revólver com aproximadamente 180nm de comprimento e 70 nm de diâmetro.

    Ele é composto por uma fita simples de ácido ribonucléico (RNA) negativo e não segmentado composto por duas unidades: a ribonucleoproteína (RPN) e o envelope viral. Em sua constituição existem 5 proteínas, sendo que a glicoproteína do envelope do vírus é a mais importante, pois induz a síntese de anticorpos neutralizantes, conferindo proteção contra a doença, além de ser responsável pela adsorção do vírus na célula hospedeira.

    O vírus da raiva é inativado pelo éter, radiação ultravioleta, raio X, luz solar, calor e dessecação. Também é destruído pela pasteurização, desidratação, detergentes e sabões, éter, acetona, álcool, compostos iodados, formol, ácidos de pH menor que 3 e bases com pH maior que 11. Resiste por 35 segundos em temperatura de 60° C, 4 horas a 40° C e vários dias a 4° C.

    Acreditava-se que a raiva possuía 3 ciclos: urbano, rural e o silvestre. Atualmente adicionou-se o ciclo aéreo que acontece entre espécies de morcego hematófagas ou não.


    A raiva urbana, problema em países em desenvolvimento, afeta tanto cachorros de rua como domésticos, sendo responsável por mais de 99% dos casos em pessoas.

    No ciclo rural, o morcego hematófago da espécie Desmodus rotundus é o principal transmissor da doença aos herbívoros domésticos. Os animais de produção também podem se infectar pela agressão de cães, gatos e mamíferos silvestres. A contaminação entre eles não ocorre, pois não possuem o hábito de morder outros animais.

    No ciclo silvestre terrestre, a transmissão ocorre entre animais como a raposa, o lobo, o macaco, o coati, o gambá, etc. Esses animais podem servir também de fonte alimentar do morcego hematófago ou serem atacados por animais domésticos de estimação.

    O ciclo aéreo é importante para a manutenção do vírus entre as várias espécies de morcegos que disseminam a raiva, pois como são os únicos mamíferos que voam, transpondo barreiras geográficas.


    Todas as espécies de morcegos, hematófagas ou não, são susceptíveis ao vírus da raiva, podendo transmitir a doença e apresentar sinais e sintomas da raiva, cursando para a morte. Não são, portanto, "portadores sãos", como antigamente se acreditava.

    Os custos com o controle podem ser elevados, sendo que países livres da raiva envidam enormes esforços para manter esse status.

    Alguns países com raiva selvagem, como os EUA, continuam fazendo grandes investimentos em campanhas de controle da raiva para prevenir a disseminação da doença.



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