Sinônimos
Doença de vaca caída.
Espécies Afetadas
Bovinos, ovinos e caprinos.
Etiologia
Clostridium botulinum tipos C e D.
Transmissão
As toxinas do Clostridium botulinum embora imunologicamente distintas, têm ação idêntica: atuam no sistema nervoso periférico, na junção neuromuscular, impedindo a liberação da acetilcolina, substância envolvida na transmissão dos impulsos nervosos a conseqüência é uma paralisia flácida dos músculos.
Epizootiologia
O Clostridium botulinum é um bacilo anaeróbio. Sob a forma de esporo é encontrado no solo, na água e ainda no tubo digestivo dos animais, não causando aí qualquer problema. Quando um animal morre, o processo de putrefação cria condições de anaerobiose favoráveis ao desenvolvimento do Clostridium botulinum e produção das toxinas botulínicas. Em regiões com acentuada deficiência de fósforo e sulementação mineral inadequada, os bovinos tem tendências a ingerir ossos ou restos de cadáveres. Se estes estiverem contaminados com as toxinas botulínicas, pode ocorrer o botulismo epízoótico.
O trânsito de animais de áreas de ocorrência de botulismo para zonas livres faz com que haja a introdução da bactéria; participam também o urubu, tatu, pássaros e outros animais silvestres, que não somente disseminam esporos através das fezes, como eventualmente podem se constituir em novas fontes de intoxicação quando mortos nas pastagens (DUTRA 1994).
Além do botulismo epizoótico, associado à ingestão de ossos ou restos de cadáveres, pode também ocorrer a doença após a ingestão de águas estagnadas ou outros alimentos contaminados com as toxinas botulínicas, como: silagem
Situação no Brasil
Segundo DOBEREINER e col. (1992), o botulismo epizoótico dos bovinos está bastante disseminado no Brasil, em solos deficientes em fósforo, como podemos verificar no mapa a seguir.

O botulismo epizoótico, associado à ingestão de ossos ou restos de cadáveres com toxina botulínica, acomete, em geral, um grupo de animais num curto espaço de tempo, normalmente constituído por fêmeas prenhas ou com bezerro ao pé. Ocorre principalmente no período das chuvas (outubro a maio), quando a quantidade de massa verde é abundante e rica em proteína, acentuando-se assim a necessidade de fósforo nos bovinos.
Sintomas e Lesões
Segundo DUTRA (1994), o período de incubação varia de horas até 18 dias, dependendo da quantidade de toxina ingerida. A evolução da doença também varia de acordo com a quantidade de toxina que o animal ingere: quantidades maiores de toxina determinam um quadro rápido com morte em poucas horas após o início dos sintomas, enquanto quantidades pequenas levam a uma sintomatologia mais branda, com evolução variando de 2 a 3 dias até semanas.
Para TOKARNIA e col. (1983), o sintoma mais importante é a paralisia dos músculos da locomoção, mastigação e deglutição. A paralisia muscular afeta primeiro os quartos traseiros, progredindo para os dianteiros, cabeça e pescoço. Inicialmente o animal tem andar duro, desajeitado, tendência acentuada de se deitar e dificuldade em se levantar, até o ponto de não poder erguer-se do chão, ficando deitado, em decúbito esterno-abdominal. Em seguida, apoia a cabeça no flanco e fica caído de lado até morrer. A paralisia dos músculos da mastigação e deglutição manifesta-se inicialmente por dificuldade na preensão dos alimentos, lentidão na mastigação e finalmente pela incapacidade do animal de apreender, mastigar e engolir os alimentos. Nas fases mais adiantadas da doença, a ponta da língua pode ficar fora da boca; no entanto, para evidenciar a paralisia da língua, o veterinário deve puxá-la e verificar se o animal tem dificuldade em recolhê-la. O psiquismo e a sensibilidade da pele continuam normais. Não há febre. A morte ocorre normalmente por paralisia respiratória.
Na necropsia não se observam lesões características.
Material para Laboratório
- Conteúdo gastrintestinal.
- Conteúdo ruminal (500 g).
- Intestino delgado com conteúdo (30 cm).
- Fígado.
Prevenção
- Eliminar ossos e carcaças nas pastagens.
- Garantir as necessidades de fósforo dos animais com uma mineralização adequada.
- Controlar a qualidade da água e dos alimentos fornecidos.
- Vacinar anualmente todo o rebanho.
- Vacinas: